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centro de experimentação poética |
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Eu não sou nada. Proposta pura. Balela. Conversa. E uma cervejinha no fim de semana porquê não consegui até agora ser feito só de vento. Tentei, eu juro, jogar videogame e esquecer de todas essas peças que fazem dessa bola um lugar tão colorido. Azul e branco e as vezes vermelho. Azul e branco e com sangue vermelho. Azul e branco e qualquer pessoa que for cortada agora vai sangrar vermelho. É tudo a mesma coisa. Foi difícil, mas eu entendi. É tudo a mesma coisa. E sem ter sido tantos, eu não seria metade. Porquê poesia, é meio que isso, ser tantos, mais ser só um. Vox populi, a voz do povo, e a voz de todos, sendo um. Porquê no final, é só o que toca no meio que importa. É só o que toca no meio, bem fundo, de cada um que importa. É saber tocar em cada um. É saber viver. É saber amar. É saber sorrir e de vez em quando, saber sorrir vermelho, saber sorrir sacana. Eu não sou nada. Eu não sou ninguém.
Conversa pura, papo jogado fora pra te convencer que esse amanhã que te venderam no shoping é mentira. Palavra jogada pro alto pra insistir e de repente te convencer, que amanhãs, antes de qualquer outra coisa, são feitos do riso e não nunca mais do pranto. Eu não sou nada, mas ninguém aqui embaixo é ninguém. Eu caminho. E não sei pra onde vou. Alguém aí sabe? Importante pra mim é a palavra e o teu sorriso no final da página. Importante pra mim, é parar essa bola de merda e te convencer que o sorriso é possível. E necessário. Confronto é permanência, e o resto é carteado.
Aqui embaixo é tudo a mesma coisa. O resto é palavreado. Treta pra enrolar otário. Ladainha pra convencer carola. A gente não é tão diferente assim. A gente ama, sente dor e chora. A gente sofre. Sorri. E as vezes até toma banho de mar pelado. A gente ama, e todo o resto, todo o resto no final não importa porra nenhuma. Porquê a gente ama. E é isso que move. É isso que nos move e que comove. Porquê poeta, se não fosse gente, era estrela. Era nebulosa e caminhos. Poeta não tem lugar por aqui não, mano. Difícil pra caralho. Rindo e cantando e encarando a besta de frente. Perdi muita gente nesse caminho. Saravá !
Gente boa demais ficou nos cantos dessa folha, meu nobre. Gente que a falta dói até hoje. Gente que ficou pra trás. Essa vida é cruel. Essa vida nunca deixou de ser selvagem. O segredo é amar além de qualquer palavra. O segredo é amar e inventar todas as outras palavras. Amar pra mim é palavra que começa com a e acaba com ar, no meio disso é tanta palavra que não consigo. Infinito pra mim é muito, é demais. Não consigo. Não quero. Não posso.
Mas insisto.
No final, quando a alma tiver na balança, acho que é tudo questão disso. O quanto você conseguiu amar, o quanto você conseguiu se dar, o quanto você conseguiu trocar. A batalha é necessária, o conflito é permanência. E se Deus quiser no final dessa estrada, vai ter uma cervejinha com calabresa acebolada.
A minha riqueza, o valor que eu juntei até agora desse mundo não tem um puto que pague. Eu fui humano o quanto que eu consegui. Eu sou feliz. Eu sou livre. Eu sou poeta.
Conheci pessoas tão grandes nessa vida. Eu tive sorte. O caminho da palavra é o caminho da palavra. E mais que isso você não vai achar escrito. Porquê o caminho da palavra, é o caminho do compromisso, é o caminho do riscado. É o caminho do eu me comprometo. Do eu acredito. Do eu não acredito nesses amanhãs tão ontems, do eu e você amanhã em qualquer outra praia que não essas, do eu e você em outros amanhãs que não esses sendo esses mesmos. Sem tantos eu não seria nada. Eu sou poeta. Eu me garanto. E antes de tudo, me comprometo. Assino embaixo. Jogo pra frente. É tipo isso. Eu sou um cara pequeno.
Nessa vida eu dei sorte. Conheci uns gigantes. Gente que não gostava de assinar a folha. Gente que escrevia e jogava. Palavras não pertencem a ninguém. Palavras são tão enormes. Palavras são tão pequenininhas. Uma coisa eu sorrio, conheci gente nesse sonho que sabia se jogar pela poesia. Que conseguia amar de um jeito que eu nunca entendi. Que conseguia sorrir. Gente que barganhou a alma e saiu no lucro. Negociar com o capeta é complicado. Amei e fui feliz nessa vida. Se for pra morrer agora, é sem prejuízo. Sou escravo da palavra, mas ela me libertou. Se for agora, eu tou pronto, mas que não seja hoje, mas que eu possa escrever. Porquê é tanta coisa, meu nobre, é tanta coisa que eu tenho pra te contar... dos loucos pelados peitando a cavalaria da pê-eme, dos porres monumentais no baixo-gávea, Méier ou em qualquer outro lugar, ou qualquer outro bar, de tanta palavra que escorreu até essa palavra agora. De Rômulo Narducci, Tarso Augusto e Rod britto, de Guilherme Zarvos, Xisto da Cunha e Guila Sarmento, do cara do rosário falando o poema sobre a puta, de todas as damas que com um dedo de prosa largaram o sorriso, de tanta gente que não ia caber na folha e de imberês, quem trabalha de branco vai sempre ter lugar na minha folha. De tantos ontems tão agora. E difícil mas tou levando. Bandeira branca eu trago de pai forte. E faço, e tento fazer desse meu agora, um amanhã mais humano. Um amanhã mais necessário. Eu escrevo. Isso como ontem outro maluco tentou derrubar moinhos de vento. Porquê são moinhos de vento que a gente tem que derrubar. Moinhos de palavras vazias. Milhares de palavras vazias e perigosas. Importante é amar além disso tudo. Saber se jogar. A palavra é sempre prostituta.
Eu não sou nada. Mas aprendi a sorrir.
Eu não sou nada. Eu não sou ninguém. Alguém aqui é alguma coisa ?
Poeta rima com oceano. Tanto amor que dói. Tanto amar que cansa. Tanta palavra que não dá. A gente tenta, a gente quebra garrafa e de vez em quando consegue. É muita palavra, meu nobre, mas se eu te contasse de todas as pedras que colhi no caminho, não haveriam palavras o bastante. Eu queria que tudo coubesse na folha. O que é meu é seu, e isso aqui sou eu. O resto, velho, o resto que se foda. Na web
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